A Beleza do Suburbio

A Gift From Dinho

Day 2 of this blogging adventure! So, as much as I have to write and recount, I am going to let today belong to Dinho. I spent the day in Subúrbio, getting my feet dirty (mud literally to my knees), placing masks and paintings throughout the neighborhood, fighting off confused looks and shoo-ing away children coming too close with sticks in hand and way too much energy. Dinho said he had wanted to write a piece for the blog, and when I got home, I had this waiting for me. It’s in portuguese, but I want to leave it as it is, because translations don’t usually do things justice (in other words… there’s always google translate). But I have to preface this by saying thank you to Dinho for this experience, for his words, for opening my mind and for being sure that we could make something wonderful happen in such a short amount of time.

Muito obrigada Dinho.

A beleza do Subúrbio: três semanas com Marcella Hausen

Marcella Hausen me ensinou muito nessas três semanas.

A primeira grande lição foi acreditar nos sonhos e nas possibilidades de criar algo novo, que seja significativo para as crianças e jovens do mundo que vivem em situação de vulnerabilidade social, risco e violência.

O nosso trabalho consistiu em focar a beleza e a estética como possibilidades de intervenção diante da violência, algo não tão simples quando ainda no Brasil a maior parte das intervenções diz respeito ao momento posterior à violência, mas muitas ações sem pensar na prevenção.

Percebemos que algo muda na perspectiva dessa população quando lhe apresentamos a beleza e a estética.

Há uma ruptura, no sentido positivo, conforme tenho dialogado com diversos profissionais. Entendo que essa ruptura pode levar a novos caminhos de inclusão e orientar novos projetos de vida.

É claro que essa perspectiva exige um extremo cuidado metodológico e ético, no sentido de que propor o encontro com a beleza estética da arte supõe posteriormente a atividade artística, o fazer concreto que pode gerar novas possibilidades de atuação no ambiente e definições de caminhos educativos mais integrados.

Acredito que neste primeiro momento, dadas as tantas atividades em comum, assim como mudanças tantas ocorridas aconteceu que o nosso trabalho se desenvolveu em duas frentes: mostrar a beleza do Subúrbio Ferroviário de Salvador, com fotos do lugar e das obras do Acervo da Laje, assim como uma documentação das obras de arte que ainda mostra essa África refeita e elaborada pelos artistas da periferia.

Por si só essas duas iniciativas valeriam o nosso encontro e trabalho em conjunto, mas o que queremos pesquisar diz respeito a algo mais importante: como a arte, a beleza e a estética podem reconfigurar trajetórias de vida? Qual a função da beleza na prevenção da violência?  Quais os impactos da beleza na cognição? Quais são os profissionais habilitados para tal empreitada?

Queremos elaborar um projeto com fotografia e estética porque entendemos que os jovens da periferia têm uma sensibilidade e percepção muito agudas e que estas precisam ser bem orientadas, pois quando isso ocorre, eles podem gerar novos talentos e descobertas, tecendo novos caminhos inclusivos.

Essas perguntas são fundamentais para elaborar iniciativas que enfrentem as situações de violência, porque elas nos colocam diante de novas perguntas sempre, que precisam ser respondidas, mas ao mesmo tempo  devem ser refeitas sempre, pois a pesquisa deve ser uma atividade dinâmica e constante.

A segunda lição aprendida com Marcella é a capacidade de realizar parcerias e trabalhar juntos. Desde a primeira vez em que ela visitou o Acervo esse desejo ficou latente, com a inquietação de propormos algo concreto, estruturado e que pudéssemos fazer uma experiência de intervenção e diálogo com os jovens do bairro de Novos Alagados, pois aqui ainda há as ambivalências fortes e presentes quando falamos da situação social e da estética que há na paisagem e que precisa ser melhor vislumbrada, pois quando vivemos em um ambiente geralmente tendemos a normatizá-lo, sem perceber as suas nuanças.

Escrevemos o projeto, mas por conta de situações de saúde de ambos coincidiu que não conseguíssemos realizá-lo, com isso estruturaremos melhor o projeto e tentaremos realizá-lo na próxima oportunidade.

A terceira lição foi a de trabalhar sempre. Não importa o pouco de tempo que temos, importa que haja sempre a possibilidade de atuar na realidade.

Com isso jamais esquecerei que colocamos literalmente os “pés na lama” para fotografar algumas máscaras para um ensaio fotográfico sobre a arte africano-suburbana dentro do Acervo da Laje.

Para isso entramos na maré de Novos Alagados para melhor fotografar as máscaras em lugares que são representativos dentro da sua cosmogonia original.

Esse gesto mostra o desprendimento e a vontade de criar utilizando os meios e os recursos do contexto que estão presentes e precisam ser utilizados.

As máscaras, com isso ganharam uma nova dimensão de contextualização e criação. O olhar do fotógrafo tem uma dimensão diferente da nossa visão, que muitas vezes é parcial e repetitiva. A do fotógrafo, não: encontra o novo, desenha com a luz, permite o desvelamento de algo que não vemos, como me ensinou  e ensina o querido  fotógrafo Marco Illuminati.

Desde a primeira oportunidade, quando nos conhecemos e soube do seu trabalho com a fotografia, solicitei que o seu olhar fixasse essa beleza que há no Acervo da Laje e aqui no Subúrbio, pois sei que sua contribuição pode vislumbrar um novo modo de eternizar essa beleza que é susceptível às intempéries e à fragilidade humana.

Claro que esse trabalho passou pelo crivo de tantas e profundas conversas, para que ambos descobrissem o sentido (e eu estou incluso nessa descoberta) dessas obras produzidas pelos artistas do Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Todo encontro é um mistério e revela a capacidade que o belo tem de fazer as pessoas se encontrar de formas como jamais pensaríamos que fosse possível.

Todo encontro é um mistério.

E como o mistério, pode se desenvolver infinitamente.

Seja sempre bem vinda, e muito obrigado, querida Marcella Busato Hausen.

10 de agosto de 2012

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This entry was published on August 11, 2012 at 2:46 pm and is filed under Uncategorized. Bookmark the permalink. Follow any comments here with the RSS feed for this post.

2 thoughts on “A Gift From Dinho

  1. Tiani Hausen on said:

    Fantastico! Dinho e Cella, parabens pelos textos, fotos e acima de tudo pelo entusiasmo, e dedicacão. E que mensagens maravilhosa, gostei especialmente de: trabalhar sempre! Muito legal mesmo.

  2. Gustavo Belger on said:

    Prima, Simplesmente Genial !

    Continue acreditando nos sonhos, e essa ruptura positiva se dará na vida deles e na sua também…

    Parabéns!

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